Sobre o que falamos quando falamos de horizontalidade

Os últimos meses foram marcados por questionamentos e debates sobre clima em agências, boas práticas e outras bem questionáveis - e achamos que é hora de falar mais sobre isso

Nos últimos meses, o mercado de comunicação vem passando por discussões sobre cultura, estrutura hierárquica, erros e acertos na condução dos processos de trabalho. Por aqui, essa discussão rola sempre, provavelmente desde que a agência nasceu, e é um assunto muito do bem-vindo. Parte grande do trabalho dos sócios e diretores da Mutato passa por discutir, repensar e mexer no que for necessário para que a agência consiga estar o mais próxima possível de um modelo de trabalho que dialogue tanto com as demandas dos nossos clientes quanto com a satisfação da equipe que trabalha aqui.  

É óbvio que sempre rola aquela (re)questionada quando o mercado toma umas voadoras nas costas, como no caso da tal planilha das agências. Esse trecho de uma entrevista recente do Passamani, nosso COO, ao blog da Media Education, resume bem como encaramos o assunto:

Acho que a empresa reconhecer que tem o que melhorar, conseguir ouvir as críticas e criar ambientes seguros para isso (pesquisa de clima, conversas francas mesmo que informalmente) acaba por criar uma cultura melhor e isso tem efeitos diretos no clima de trabalho. Outro ponto super delicado nesse mercado é o volume de trabalho da equipe. Esse tem de ser um ponto constante de avaliação pela liderança da agência.
— Andre Passamani, co-fundador e COO da Mutato

Dois finais de semana atrás, nosso diretor de Estratégia, Tullio Nicastro, mediou um papo bem bacana que nós propusemos ao Festival do Clube de Criação. A ideia era juntar gente do mercado para refletir, todos juntos, sobre processos criativos horizontais. Basicamente, queríamos ouvir pontos de vista de quem está nessa indústria e encara um desafio comum: o questionamento mais que saudável de estrutura muito verticais, de modelos de criação estanques - em que um determinado grupo é considerado 'criativo', em detrimento de outros - e no qual o cliente é visto como empecilho ao processo (e não como uma peça fundamental da engrenagem). Um resumo do que rolou no painel tá aqui.

A partir da esquerda: Tullio com Moa (W3Haus), Elisa (Natura), Raffael (Sapient) e GB (Ampfy) no papo sobre horizontalidade no Festival do Clube, em São Paulo

A partir da esquerda: Tullio com Moa (W3Haus), Elisa (Natura), Raffael (Sapient) e GB (Ampfy) no papo sobre horizontalidade no Festival do Clube, em São Paulo

Mas por que falar disso agora?
A gente compartilha aqui na Mutato de uma crença muito forte na desconstrução de premissas que, hoje, já não fazem mais sentido e mais atrapalham que ajudam o processo de trabalho. Estamos falando da essência de como pensamos e produzimos conteúdo, e isso nunca sai da pauta para nós.

Estamos falando de trabalho verdadeiramente cocriado, em que cliente também pode (e é muito bem-vindo a) sentar à mesa para pensar com a gente; ser da 'criação' não significa que é dali que sairá a melhor ideia; que se o processo não for fluido e as pessoas não tiverem liberdade de arriscar, nem mesmo a campanha mais premiada terá sido bem-sucedida pra gente no final das contas. Neste contexto, aliás, a ideia mais celebrada pode ter vindo, inclusive, da base de fãs de uma marca nas redes sociais.

É óbvio que a questão é toda muito complexa. Uma vez que você estimula a horizontalidade, fica mais difícil definir - e fazer valer - limites necessários para que o trabalho efetivamente aconteça. Abre um espaço saudável para questionamentos, o que, por sua vez, exige um policiamento constante para entender se estamos efetivamente cumprindo o que nos propomos a fazer (e é claro que sempre fica faltando algo por fazer).  

Foto acima (e do header deste post): Gleice Bueno

Foto acima (e do header deste post): Gleice Bueno

O resultado disso tudo é que, por buscar esse modelo mais livre - "mas que está lá, de mãos dadas, na hora que dá merda", como o Tullio Nicastro disse lá no painel do Clube de Criação - nos faz mudar sempre. E aí vemos que estamos no caminho certo. Se nascemos com a premissa de ser a agência para os tempos em que a única constante é a mudança, ela tem que pautar nosso modelo de trabalho.